17 de fevereiro de 2005

SERVIÇOS PÚBLICOS

Paulo Portas assenta parte do seu discurso no facto de ter "reparado a injustiça da dívida de Portugal aos ex-combatentes"; segundo ele, um grupo de pessoas que andou nas guerras de África mereceriam o "nosso" reconhecimento pelos "serviços prestados". Expliquem-me lá se estou enganado, mas os "serviços prestados" não consistiram em lançar napalm sobre populações indígenas ou encher de tiros os movimentos que pretendiam a libertação do seu país? Isto merece ser "recompensado"? A mim parece-me mais o contrário.
De duas uma: ou estamos a falar de militares de carreira que escolheram o caminho da guerra, ou estamos a falar de jovens recrutados à força e enfiados em barcos e aviões para irem matar ao serviço de um regime caduco.
Onde é que está a necessidade de "reconhecimento" dos portugueses?
Eu não sei é como é que as gerações imigrantes filhos dos homens que morreram nas ex-colónias não saem à rua em protesto. Isso sim, seria o reconhecimento que as ideias fascistas de Paulo Portas mereceriam.

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